quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Artigo - História das Eleições no Brasil e o voto de cabresto

Por Michelle Veloso

(Foto: Divulgação Internet)


O voto direto é um direito de todo cidadão brasileiro, acima de 16 anos, adquirido ao longo da história. É também uma obrigação eleitoral que se estende até a quem não é alfabetizado, mas nem sempre foi assim. Esse ato de democracia adquirido ao longo dos anos da história do Brasil, sempre foi alvo de muita cobiça, seja dos coronéis de antigamente, ou dos governantes da atualidade. É através dele, que o conjunto formado pelo povo brasileiro exerce a cidadania e delega aos seus representantes o poder de decidir pelo bem da maioria.

As primeiras eleições brasileiras datam da época do Brasil Império, quando o país se tornara independente de Portugal e a fraude eleitoral já era uma constante. O início do século XX foi marcado pelo período áureo do coronelismo, onde o eleitor levava de casa o voto já anotado num papel, com o nome do candidato indicado pelo coronel, para depositar na urna eleitoral. O coronel fornecia o transporte para seus “eleitores” se dirigirem às seções eleitorais e em alguns casos também, a cédula eleitoral já preenchida com o nome do candidato. Lembrando que grande parte desses “eleitores” era analfabeta, numa época em que eles não podiam votar. Daí é que se derivam os chamados “currais eleitorais”.

O voto eleitoral, feito por meio de abuso da autoridade dos coronéis, ficou popularmente conhecido como “voto de cabresto”. Essa prática ainda é reconhecida, de certa forma, nos dias atuais, quando o candidato se utiliza da máquina pública em favor da própria reeleição ou até mesmo para eleger um candidato indicado por ele, induzindo os funcionários contratados por período, a votar dessa forma, em troca da permanência no emprego. “É um fenômeno arcaico da nossa sociedade. Não deixa de ser a procura por um messias, pronto a resolver os problemas da nossa demanda”, comenta o cientista político Arnaldo Dantas.

O cenário político muda radicalmente após a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas assume a presidência. O Código Eleitoral Brasileiro passa a vigorar, em 1932 e o voto secreto passa a ser garantido por lei. A migração da população do campo para as cidades, também contribuiu para o enfraquecimento do coronelismo. Em 1996, as chances de fraude eleitoral diminuem significativamente, por meio do voto na urna eletrônica, que agora está presente de norte à sul do país.


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