A penitenciária Juiz Plácido de
Souza registra um saldo de 6 mortos e 21 feridos em duas rebeliões que
aconteceram no sábado (23) e nesta segunda (25)
Por Michelle Veloso
Tinha tudo para ser mais um
final de semana (quase pacato) em Caruaru, até estourar a notícia da confusão
na Penitenciária Juiz Plácido de Souza. Colegas da imprensa que estavam de plantão,
confirmaram o tumulto no final da tarde do sábado (23). Informações nas redes
sociais davam conta de que já havia um saldo de mortos e feridos, além de uma
possível fuga de detentos.
Boatos davam conta de que a ‘Capital
do Agreste’ estava vulnerável, já que os policiais teriam sido retirados das
ruas e enviados para a PJPS. A história foi esclarecida na manhã do domingo
(24), pelo Delegado da Polícia Civil, Luiz Bernardo, da Divisão Especializada em Apuração de Homicídios. Ele explicou à imprensa
que um efetivo policial extra havia sido remanejado de cidades vizinhas, para
controlar a situação.
Vídeos de supostos detentos numa
penitenciária, passaram a circular na internet, mas a PM esclareceu que o
conteúdo deles foi divulgado de forma criminosa, como se tivessem sido feitos
em Caruaru. Não foi comprovada a veracidade das imagens.
O Secretário de Justiça e
Direitos Humanos, Pedro Eurico afirma que o que motivou a rebelião foram as divergências
entre grupos rivais. Por meio de nota, a Secretaria Executiva de
Ressocialização confirmou o total de 6 mortos e 11 feridos no sábado, que foram
levados para o Hospital Regional do Agreste, dos quais, 3 já retornaram à
unidade prisional.
Na manhã desta segunda (25),
teve mais confusão e outros 10 presos ficaram feridos, mas não houve registro
de morte e nem de fuga. O saldo das duas rebeliões foi de 6 detentos mortos, dos quais 3 foram decaptados (dois deles já identificados) e 21 feridos. Já houve transferência
de presos e de acordo com a Polícia Militar, o Batalhão de Choque vai fazer
revista na penitenciária ainda hoje.
A Penitenciária Juiz Plácido de
Souza tem capacidade para abrigar 380 detentos, mas comportava 1.542 a mais. O
total de presos até então, era de 1.922 homens, segundo o presidente do
Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária, João Carvalho. Ele ainda
afirma que a unidade prisional conta com cerca de seis ou sete agentes
penitenciários, quando o necessário seriam 80, para se trabalhar em condições
mínimas de lidar com a superlotação carcerária.
Além da superlotação, outro
problema do presídio é a presença dos “chaveiros”, que são os presos que cuidam
de celas e resguardam as chaves de determinados setores, o que dificulta o
trabalho dos agentes penitenciários.

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